O Consórcio Intermunicipal de Reciclagem e Compostagem do Lixo (Conilixo) localizado em Trindade do Sul, pela segunda vez é apontado em reportagem da Globo News como referência nacional e internacional na triagem do lixo.
Considerado um dos mais bem estruturados e organizados entre os consórcios do país, o Conilixo foi citado pela primeira vez a nível nacional em 2007. Depois disso recebeu visitas de vários estados e países interessados em conhecer o modelo de consórcio sustentável que além de atender 11 municípios da região reverte parte do lucro da comercialização dos recicláveis para os consorciados.
As últimas reuniões realizadas foram para tratar do novo Estatuto do Conilixo, o qual figura sobre a alteração de Consórcio de Direito Privado para Consórcio de Direito Público. A documentação está sendo organizada e preparada e passará pela aprovação da Câmara de Vereadores e pelo Poder Executivo de cada município associado.
De acordo com o administrador do Conilixo, Daniel de Almeida Lara, 60 funcionários trabalham no local, 40% são concursados e 60% contratados, “realizamos concurso no último sábado (6), com a finalidade de efetivarmos 100% dos nossos funcionários, em janeiro de 2011 os aprovados serão chamados”, relata Lara.
Segundo ele, a empresa trabalha em dois turnos diferentes, das 7h às 17h com intervalo para o almoço que é servido no refeitório e incrementado com as verduras cultivadas pelos funcionários na horta do Consórcio. O segundo turno inicia às 17h e se estende até às 23h. Os funcionários deste turno atuam também nos sábados durante o dia a fim de completar as oito horas diárias de trabalho. Os salários giram em torno de R$ 750 a R$ 800 com insalubridade, esse valor pode aumentar com a possibilidade de horas extras.
Para o funcionário Giuvan Aresi, que trabalha há um ano e quatro meses no Consórcio como contratado, a oportunidade de prestar concurso é uma garantia de continuar trabalhando, “gosto de trabalhar na esteira, nas máquinas e na horta, minha esposa trabalha aqui também e o Conilixo me deu oportunidade de ficar perto da família, antes morava em São Paulo”, relata Aresi e acrescenta, “fiz o concurso no sábado, acredito que fui bem e espero ser efetivado no próximo ano”.
Segundo a responsável técnica, Fabiana Fávero Loureiro Machado, as cargas de lixo chegam diariamente, dependendo do número populacional de cada município, “Nonoai, por exemplo, traz pelo menos uma carga todos os dias, Sarandi que é a maior cidade associada traz duas cargas diárias”, afirma Fabiana.
O lixo reciclável é transformado em fardos de 300kg e após vendido para empresas especializadas em reciclagem, o valor pago por quilo varia de R$ 0,05 à R$ 0,80, “vendemos para a empresa que pagar mais, o vidro geralmente é vendido por R$ 0,05 o quilo, o papelão R$ 0,40, os fardos mistos (mais de um produto reciclável) R$ 0,20 e as garrafas PETs R$ 0,80”, relata Fabiana. Segundo ela, o Consórcio recebe 50 toneladas de lixo ao dia e para saber a quantidade que cada município produz, basta fazer o cálculo de um quilo diário por habitante.
Já o lixo orgânico é depositado em baias de compostagem para a retirada do chorume, pois ele possui odor muito forte e alto potencial de contaminação da fauna e flora. Quando o lixo orgânico está seco é peneirado e embalado para venda, também é utilizado na horta do próprio Consórcio.
O aterro deve receber cobertura de terra a cada 90 dias, como o Consórcio não tem máquinas suficientes contrata uma empresa terceirizada para realizar este processo, a terra para cobri-lo fica a cargo da prefeitura. Logo abaixo do aterro estão localizadas as lagoas de tratamento, a primeira não possui oxigenação e é onde ocorre a fermentação, a segunda é chamada de lagoa de tratamento e a terceira é a de recirculação, quando esta enche a água retorna ao aterro e inicia-se o processo novamente.
De acordo com Fabiana, cada município tem a responsabilidade de organizar a separação e a coleta seletiva, além de apresentar eco pontos de recolhimento de lixo classe um, ou seja, o contaminável, como lâmpadas fluorescentes, baterias, pilhas, embalagens de agrotóxicos, também as podas e resíduos de construções devem ter uma destinação correta, “nós não temos obrigação de receber estes materiais” afirma a responsável técnica.
Vinte anos depois de proposta ao Congresso, foi sancionada pelo presidente Lula a lei que institui a Política Nacional dos Resíduos Sólidos com o objetivo de incentivar a reciclagem de lixo e o manejo correto de produtos usados que têm alto potencial de contaminação. Uma das novidades é a criação da “logística reversa”, que obriga os fabricantes, distribuidores e vendedores a recolher embalagens usadas de materiais agrotóxicos, pilhas, baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas e eletroeletrônicos. A nova legislação também determina que as pessoas separem o lixo doméstico nas cidades onde há coleta seletiva. Esta lei gera obrigação para com o meio ambiente, os municípios que não dão destinação correta ao lixo têm a possibilidade de organizar Consórcios de Triagem como o Conilixo.
Confira a reportagem realizada pela Globo News em 2007 no site www.globonews.com.br e procure pelo título “Entenda o Novo Marco Regulatório para o Lixo no Brasil”. Ou acesse o Portal Nonoahay o link estará disponível junto a esta reportagem.
Um problema social que também ocorre aqui
Um fato que é incontestável é que a rede de prostituição infantil no Brasil continua sem solução, talvez isso ocorra porque este tipo de negócio transformou-se no terceiro mais rentável comércio mundial, atrás apenas da indústria de armas e do narcotráfico. O problema ocorre nas grandes cidades e nas pequenas também, Nonoai não foge desta realidade. Em entrevista para o Jornal Visão uma jovem de 15 anos relata como funciona o submundo da prostituição infantil no município. Nesta reportagem serão preservadas as identidades das jovens envolvidas.
Como toda atividade clandestina, a prostituição infantil sempre foi abafada. São raros os casos onde os envolvidos são denunciados, presos ou recolhidos às instituições de proteção a menores.
No município os clientes que procuram pelos serviços das menores, na sua grande maioria, são homens casados com idade acima dos 40 anos segundo a fonte desta reportagem, nestes casos não ocorre o uso de preservativos e durante os programas as meninas são induzidas ao uso de cigarro e bebidas alcoólicas.
Dos homens que procuram pelas menores, além dos empresários estão na lista os agricultores e os motoristas. As meninas recebem de R$ 30,00 a R$ 50,00 por programa chegando a R$ 500,00 no mês.
Segundo a fonte, de um grupo de 20 meninas dos 14 aos 17 anos, cerca de 10 se prostituem. Quatro pontos na cidade são frequentados pelas menores que em sistema de rodízio atendem a clientela, quando não são abordadas na rua mesmo. As jovens são de origem pobre e usam o dinheiro dos programas para se manter.
Entre os motivos que levam as menores a prostituição estão a violência, a pobreza, o abandono e a desestrutura familiar. Para elas, muitas vezes é mais fácil enfrentar as dificuldades da prostituição nas ruas do que enfrentar os distúrbios de homens, que ao invés de dar-lhes proteção, abusam delas sexualmente.
Existem leis que proíbem a entrada de menores de 18 anos em motéis e estabelecimentos similares. No entanto, como todas as leis, esta também não é cumprida. Os casais entram nestes lugares sem o mínimo de intervenção, por esse motivo os homens podem entrar não só com uma menor, mas duas ou três, depende de seu gosto e sua disposição, quando não levam as menores para casa, como em alguns casos.
A jovem fonte desta reportagem convive com situações como estas diariamente, mas afirma não se conformar com elas. Sonha em ser policial militar para poder proteger e garantir a segurança de meninas como estas sujeitas a exploração sexual.
Para a psicopedagoga Rosilene Fátima de Oliveira os pais devem sim acompanhar e têm por obrigação iniciar a formação do caráter de seus filhos, principalmente nos primeiros anos de vida, é neste momento que os limites são dados. A presença dos pais promove segurança, segundo ela é importante aproveitar ao máximo o tempo que se passa com os filhos, mas sem esquecer que a superproteção acaba prejudicando a estrutura psicológica das crianças e dos adolescentes que necessitam dos exemplos dos pais para se tornarem adultos conscientes e equilibrados. A confiança é fundamental na relação pais e filhos, alunos e escola. O diálogo aberto promove o bom relacionamento entre ambos.
Visão: Qual deve ser o papel dos pais e da escola na formação do caráter da criança e do adolescente?
Psicopedagoga: Os pais têm obrigação de iniciar a formação do caráter da criança, levando em conta que isso inicia desde os primeiros anos de vida, o que é fundamental nesta fase é o exemplo dos pais. A escola vem para fortificar o que a criança trousse de casa dando continuidade neste aprendizado e preparando nossos filhos para fazerem parte da sociedade. A família e a escola devem trabalhar juntos pelo mesmo ideal, ou seja, formar cidadãos conscientes.
Visão: Como deve ser a educação das crianças nos primeiros anos de vida para que ela cresça com limites?
Psicopedagoga: É nos primeiros anos de vida que a criança aprende a ter limites. Quanto menor a criança, mais simples é dela se adequar ao que você esta propondo. Desde cedo os pais devem começar a ensinar as regras, o que eles podem ou não podem fazer, ensinar que eles devem guardar os seus brinquedos após as brincadeiras, mantendo a organização do seu ambiente. Principalmente nos primeiros anos eles começam a se impor, com choros e gritos querendo que façamos exatamente todas as suas vontades. É a partir daí que começamos dar limites, quando dizemos não a eles, temos que ser persistentes nas nossas decisões. Desta forma eles vão aprendendo a respeitar e entendendo os limites.
Visão: Como deve ser o acompanhamento e a influência dos pais na escolha dos filhos adolescentes?
Psicopedagoga: Tenho certeza que a presença dos pais dará a eles mais segurança, volto a reforçar a questão do exemplo que devemos ser para nossos filhos, ensinar a eles a humildade, a sinceridade e o respeito com as pessoas, com a nossa sociedade. Eu e meu esposo conversamos muito com nossas filhas tentamos mostrar a elas o nosso interesse num futuro promissor para elas. Mostramos sempre a realidade do dia a dia, pois elas precisam estar preparadas para a vida. Se nós pais que os amamos não fizermos isso, a vida se encarregará de ensinar muitas vezes de forma agressiva. Com certeza isso vai ajudar nas decisões delas.
Visão: O pouco tempo dos pais com os filhos devido ao acúmulo de tarefas e trabalho pode afetar diretamente na questão educação e formação do caráter?
Psicopedagoga: O importante é aproveitar todo o tempo que temos com eles dar suma importância a tudo que podemos fazer juntos, muitas vezes o tempo se torna curto, mas com certeza estamos sempre muito presentes na vida das nossas filhas, fazendo dos pequenos momentos, algo significativo, nos preocupamos muito com o caráter e a educação delas. É importante também conversar com nossos filhos e explicar que a falta de tempo é devido ao trabalho e que trabalhamos sempre pensando num futuro melhor para eles.
Na minha casa o clima é muito harmonioso eu e meu esposo demonstramos todos os dias para nossas filhas o amor, o carinho que sentimos por elas, procuramos estar sempre presente em todas as fases da vida delas. Cuidamos muito para que o estresse não prejudique a união que temos com nossas filhas, nem que o cansaço nos torne omissos na educação delas.
Visão: Em que a superproteção dos pais pode prejudicar os filhos dentro e fora da escola?
Psicopedagoga: Acredito que a superproteção dos pais acaba prejudicando as crianças. Na escola eles precisam aprender a resolver seus problemas, tomar decisões aprender a se defender, a resolver as dificuldades sem que os pais façam isso por eles, precisam estar preparados para viver fora de casa. Nós pais devemos ter a consciência de que criamos nossos filhos para o mundo e que nem sempre estaremos ao lado deles. Devemos protegê-los sim, mas com cautela e sem exageros. Precisamos orientá-los para a vida e não esconder o que está diante de nossos olhos.
Temos que mostrar a nossos filhos a realidade que nos cerca e prevenir que eles não cometam tais erros, para que não sofram mais tarde com as consequências. Eles têm que aprender a viver em sociedade, a valorizar as pessoas que os rodeiam, é assim com dignidade que nossos filhos conquistarão um futuro brilhante.
Visão: Que estratégias podem ser usadas pelos pais na construção da relação filho/escola?
Psicopedagoga: Acredito que estando presente o máximo possível na vida escolar deles. A habilidade cognitiva, habilidade social e habilidade emocional adaptam se a função pedagógica; uma não pode estar dissociada da outra. Pais e escola devem trabalhar de forma eficiente e significativa. Construindo assim uma relação pais, filhos e escola.
Visão: A confiança e a fácil comunicação entre pai /filho e escola/aluno podem motivá-los para o aprendizado?
Psicopedagoga: Com certeza a confiança é parte fundamental na relação pais e filhos, alunos e escola. Nossos filhos estão sendo preparados para uma profissão para construírem família. Não há conhecimento estático. Tudo está em constante transformação é preciso que se acompanhe a mudança. Nós pais precisamos estar preparados e abertos para evoluirmos juntos com a escola e com nossos filhos. Se conseguirmos fazer nossos filhos entenderem essa evolução, com certeza eles vão estar motivados para estudar.
Especialista em Odontogeriatria pela Universidade São Leopoldo Mandic, Marino Modesti realizou pesquisa inédita no Brasil, obtendo excelentes resultados, os dados foram apresentados e debatidos na abertura de eventos relacionados à Odontogeriatria no maior encontro mundial de Odontologia, que ocorreu de 14 a 17 de julho, em Barcelona, na Espanha. Ao pesquisar quem são, onde estão, o que fazem e o que pensam os odontogeriatras brasileiros, Marino, estabeleceu o perfil destes profissionais que atuam no Brasil.
Segundo Modesti, o odontogeriatra é o especialista da odontologia que direciona suas ações no estudo dos fenômenos decorrentes do envelhecimento, sua repercussão na boca e estruturas associadas e prioriza a prevenção e o diagnóstico precoce de enfermidades bucais em pacientes com idade superior a 60 anos. “Além do aumento da população idosa, temos um “novo idoso”, com suas condições físicas, sociais e psíquicas bastante particulares, o que demanda uma atenção mais diversificada por parte dos cirurgiões-dentistas”, ressalta o especialista e acrescenta, “hoje a criança, o adulto e o idoso têm o tratamento odontológico semelhante, porém isto é uma maneira de atendimento equivocado e está tornando-se passado, pois se eles possuem características diferentes devem ser tratados de maneira diferente”, conclui Marino.
Visão:Todos os levantamentos demográficos indicam que a população está vivendo mais. Marino que motivos você destaca para este aumento na expectativa de vida?
Marino: A esperança de viver mais, em todo o mundo, tem relação direta com os avanços na área da saúde, com melhorias na qualidade de vida, o acesso a mais informações, além do desenvolvimento e aplicação de novas descobertas tecnológicas.
Visão: Quando você assegura que “as pessoas estão vivendo mais” parece lógico que ocorram doenças diferentes nesta população?
Marino: Exatamente, como o processo de envelhecimento é inevitável, está ocorrendo paralelamente às enfermidades naturais do envelhecimento, um aumento na prevalência de doenças crônicas, pois os idosos têm tendência a apresentar mais episódios de doenças que a população em geral. Sendo que no grupo das enfermidades crônicas com maior incidência está a hipertensão arterial, diabetes, doenças cardíacas e pulmonares, a depressão e as demências.
Visão: Afirma-se que existe uma relação da saúde bucal com a saúde geral, que análise é possível fazer em relação aos idosos?
Marino:Devemos considerar que a complexidade dos problemas de saúde dos idosos é grande e as doenças sistêmicas e bucais estão interligadas, não podemos continuar tratando as doenças da cavidade bucal como que separadas do restante do corpo. É importante citar que cáries de raiz, periodontopatias, xerostomia, que é a conhecida boca seca, as lesões da mucosa oral, câncer bucal, o desgaste dos dentes irão ocorrer com maior frequência sendo que poderão ser potencializadas pela falta de recursos financeiros, crenças e conhecimentos sobre a saúde bucal.
Também é necessário destacar que além do aumento das patologias na boca está havendo uma mudança no perfil dos pacientes, que até algum tempo atrás era composto basicamente de indivíduos com pouco ou nenhum dente, que não tinham por hábito frequentar consultórios dentários, e cujo tratamento oferecido era basicamente extrações dentárias e instalação de próteses. Hoje, com a possibilidade de sorrir, falar e ter uma mastigação eficiente, os idosos estão exigindo um tratamento diferenciado daquele que era oferecido.
Devemos considerar que além de experiência de vida, o idoso tem também uma história relacionada à saúde sistêmica e bucal. Experiências anteriores com extrações dentárias, doenças periodontais, uso de próteses e aspectos subjetivos como medo e ansiedade são frequentes em pacientes idosos e detectar estes detalhes possibilitará que o cirurgião-dentista alcance ou não sucesso no tratamento odontológico.
Visão:Estão ocorrendo mudanças na forma de atendimento dos pacientes idosos?
Marino: Com certeza, pois esta visão mais abrangente e a exigência dos idosos em relação à saúde bucal contrapõem-se ao atual modelo de tratamento do idoso e leva os cirurgiões-dentistas a abandonarem a filosofia mecanicista da Odontologia, aquele costume de “entrar, sentar, abrir a boca, fechar a boca, está pronto” deve ser coisa do passado. No atendimento do idoso o odontogeriatra é capacitado a observar as limitações deste paciente, entender as expectativas e esclarecer os limites do tratamento odontológico o que possibilita ao cirurgião-dentista estabelecer com o idoso uma relação profissional-paciente com bases mais humanas.
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Visão:De que maneira sua pesquisa foi divulgada no congresso de odontologia, em Barcelona?
Os dados do meu trabalho foram apresentados pela professora Dalva Padilha, que é uma referência da Odontogeriatria brasileira e pelo professor Renato De Marchi que coordenou minha pesquisa e que atualmente está no Canadá cursando pós doutorado em odontologia. O professor Renato foi o incentivador de meu trabalho, qualquer dúvida ele já dizia: “vai lá que você consegue.”

"Além do aumento da população idosa, temos um "novo idoso", com suas condições físicas, sociais e psíquicas bastante particulares..."
A nossa entrevistada da semana é Sandra Longhinotti do Prado, graduada em Pedagogia Séries Iniciais e Disciplinas Pedagógicas de Nível Médio pela Universidade de Passo Fundo (UPF), pós-graduada em Psicopedagogia Institucional pela Faculdade Ideal de Getúlio Vargas, curso com formação na área de Recursos Humanos em Deficiência Mental pela Faculdade Facos de Osório-RS. Sandra, atualmente cursa Especialização em Atendimento Educacional Especializado pelo MEC da Universidade Federal do Ceará (UFC). A psicopedagoga vem desenvolvendo no decorrer de um ano e dois meses um importante trabalho na inclusão educacional do município. Atuando na Sala de Recursos do município instalada na Escola Jair de Moura Calixto, Sandra juntamente com outras duas profissionais nas áreas de fonoaudiologia e psicologia desenvolvem um trabalho social voltado para a inclusão de alunos com deficiência na classe comum de ensino.
Visão: Sandra, que tipos de deficiências são atendidas na Sala de Recursos e qual delas tem a maior incidência?
Sandra: A Sala de Recursos do município equipada pelo MEC é do Tipo 1 ou seja básica. As salas são equipadas conforme a demanda de atendimentos, no nosso caso, podemos atender crianças com deficiência intelectual, auditiva, transtorno global de desenvolvimento, imaturidade no sistema neurológico, transtorno de déficit e hiperatividade (TDAH) e deficiência física . O maior número de atendimentos são os casos de retardo mental leve e moderado.
Visão: Como são realizados os atendimentos?
Sandra: Primeiro é encaminhada uma lista para os professores, onde são acrescentados os nomes dos alunos que têm um déficit, então é marcado um horário para cada criança. O atendimento é individual. No primeiro dia é realizada uma entrevista com a criança, na segunda semana com os pais ou responsáveis. Depois são realizadas algumas atividades com a criança como o desenho da família que nos proporciona conhecer a estrutura familiar. Após a coleta de dados é realizada a análise e aí formulamos o plano de atendimento para cada aluno.
Visão: O que considera ser uma dificuldade?
Sandra: A aceitação dos pais no que diz respeito as limitações dos filhos. A rejeição em sala de aula é fator que pode atrapalhar muito o trabalho desenvolvido pelo profissional na inclusão educacional, se os professores não souberem conduzir as atividades e as avaliações de acordo com a situação peculiar do aluno.
Visão: Como agem as crianças no momento do atendimento?
Sandra: Nos primeiros atendimentos, intimidadas, receosas e com medo, depois isso tudo muda, vamos conquistando a confiança delas e nos tornamos suas confidentes. Temos que aprender a escutar o que a criança tem para falar, por exemplo, ninguém é agressivo por querer, essa atitude é reflexo de alguma outra coisa, na maioria das vezes é a desestrutura familiar que acarreta essa e tantas outras atitudes.
Visão: Como se sente ao desenvolver esse trabalho?
Sandra: É muito gratificante principalmente quando eles conseguem através das atividades me mostrar que estão aprendendo, que estão se desenvolvendo e superando as limitações. Por pequena que seja a conquista eu me emociono.
A função de agente censitário municipal tem por objetivo coordenar os trabalhos do Censo em um determinado município, englobando atividades administrativas, gerenciais e técnicas, provendo assim embasamento para uma equipe de supervisores e consequentemente de recenseadores, sendo estes últimos os principais agentes para a realização de um trabalho de qualidade. Esse cargo é ocupado por Sisara Andrades Clamer Wandscheer, que coordena a subárea de Nonoai. Em entrevista Sisara relata como estão sendo realizadas as coletas de dados, a importância, treinamentos e novidades do Censo 2010.
Visão: Como avalia a primeira etapa do Censo que consistiu na pré-coleta e a primeira semana da coleta de dados?
Sisara: A pré-coleta consistiu em um trabalho de atualização do cadastro nacional de endereços e dos mapas fornecidos pelo IBGE, sendo realizada nas áreas urbanizadas de todos os municípios do país. Em Nonoai, essa etapa foi concluída com sucesso, facilitando assim o trabalho dos recenseadores, que atuarão na área urbana do município, pois os mesmos terão acesso a uma lista prévia contendo todos os endereços (residenciais ou não) da sua área de trabalho.
A primeira semana da coleta de dados em Nonoai ocorreu conforme o planejado, considerando que o Censo Demográfico 2010 é o primeiro a ser realizado de forma totalmente digital, o que o torna um processo inovador em todas as suas fases.
Visão: Qual a importância do Censo para o município?
Sisara: Através dos dados do Censo Demográfico é que serão planejadas e implementadas as políticas públicas para os próximos 10 anos, pois é pelo conhecimento do total de habitantes de um município que são destinadas as verbas federais e estaduais para atender setores como saúde e educação, além de embasar investimentos por parte do setor privado. Daí a importância de a população receber o recenseador e responder todas as perguntas com informações condizentes com a realidade.
Visão: O que considera ser fundamental para garantir um Censo com qualidade?
Sisara: Com certeza, o envolvimento e comprometimento de todos os interessados no processo: desde a equipe de trabalho, passando pelo poder público e não podendo deixar de fora a população, que será a maior beneficiada com a realização de um trabalho de levantamento de dados com qualidade.
Visão: Como foi realizado o treinamento para os recenseadores?
Sisara: A equipe responsável pela coordenação e supervisão dos recenseadores no município de Nonoai, recebeu antecipadamente um treinamento preparatório para a operação da coleta de dados, essa mesma equipe foi responsável pelo repasse do treinamento aos recenseadores, o qual visou desde os conceitos necessários ao bom andamento da coleta até a utilização do PDA (computador de mão), que é a grande inovação do censo Demográfico 2010.
Visão: Para realizar uma operação do tamanho de um Censo o IBGE conta com parcerias. Quem são esses parceiros?
Sisara: Posso falar em nível de município, onde nossa grande parceria é com o poder público municipal, pois sem o apoio do mesmo torna-se difícil realizar um trabalho de qualidade, haja vista que o censo é uma operação em que precisamos contar com apoio integral, seja ele material ou não.
Visão: Quais os temas abordados nos questionários?
Sisara: Existem dois tipos de questionários, o básico, com um número menor de quesitos, que será aplicado em todos os domicílios ocupados, e o questionário de amostra, este com um número maior de quesitos e que será aplicado por amostragem, no caso de Nonoai 20% dos domicílios responderão a este questionário. Os temas abordados são: características do domicílio, características dos moradores, emigração internacional, educação, deficiência, trabalho e rendimento, etnia e língua falada (aplicável somente às populações indígenas) migração e imigração, deslocamento para trabalho e estudo, fecundidade, mortalidade, entre outros.
Visão: Como é realizada a supervisão da coleta de dados?
Sisara: Cada supervisor é responsável por equipes de recenseadores, aos quais deve acompanhar no reconhecimento de sua área de trabalho e nas primeiras entrevistas realizadas, além de efetuar a conferência do percurso feito pelo recenseador durante a coleta de dados e realizar algumas reentrevistas, para confirmar os dados coletados pelo recenseador e declarados pelo entrevistado.
Visão: Quando serão divulgados os resultados do Censo 2010?
Sisara: A previsão é que os primeiros resultados sejam divulgados já a partir de dezembro deste ano, uma conquista que só será possível graças à informatização de todo o processo de trabalho do Censo Demográfico 2010.
Visão: Qual a previsão de término da coleta de dados em Nonoai?
O prazo da coleta de dados é de 03 meses (agosto, setembro e outubro) para todo o país e Nonoai está incluída nesta expectativa de encerramento dos trabalhos.

"Através dos dados do Censo é que serão planejadas e implementadas as políticas públicas para os próximos 10 anos..."
“Liderar com o coração é o segredo para exercer uma boa liderança”, afirma Volnete Zanette, que há 15 anos está a frente da Casa de Assistência Social Amor e Caridade. A líder nata ressalta que não basta gostar do que se faz, é necessário administrar com seriedade, equilíbrio e responsabilidade.
Em entrevista Volnete relata que são os próprios internos, que com o dinheiro das aposentadorias depositado em um caixa único contribuem para o sustento de mais de 80% das despesas da Casa, os 20% restantes são provenientes da colaboração da comunidade, do Programa a Nota é Minha, do pedágio do Lions Clube Nonoai e de pessoas anônimas.
Ao definir um bom Líder Volnete ressalta as características de entusiasmo, acreditar no que se faz e ter Deus sempre presente. Segundo ela o bom líder acredita na capacidade de transformar as pessoas e as coisas.
Visão: Há quantos anos funciona a Casa de Assistência Social Amor e Caridade?
Volnete: A Casa foi fundada em 23 de dezembro de 1985, completará 25 anos em dezembro.
Visão: Como você se sente estando a frente de uma entidade como esta?
Volnete: Sinto-me gratificada. Adoro o que faço, é uma maneira de agradecer a Deus por tudo o que ele me dá na vida.
Visão: Qual a grande responsabilidade da entidade?
Volnete: Acolher pessoas que não têm um lar, e são abandonadas pela família ou pela sociedade. Além de acolher pessoas é uma fonte que gera 10 empregos diretos e serve também para o sustento dessas famílias.
Visão: Quantas pessoas estão morando atualmente na casa?
Volnete: A Casa abriga atualmente 32 idosos, na sua maioria com alguma espécie de deficiência.
Visão: É difícil comandar esta entidade, a responsabilidade é muito grande? Por quê?
Volnete: Acredito que não basta gostar do que se faz, é necessário administrar com seriedade, equilíbrio e responsabilidade sem procurar obter alguma espécie de vantagem pessoal, financeira como do ponto de vista de promoção pessoal, e ter sempre que possível uma pequena reserva para emergências. É necessário saber que existem limites para se estabelecer metas e padrões do que é ideal, e do mínimo que é possível fazer para um bom funcionamento da casa, principalmente não fazer da entidade mais uma instituição de empreguismo e interesses pessoais.
Visão: Por quanto tempo as diretorias permanecem a frente?
Volnete: Os mandatos são de dois anos, mas a nossa diretoria está à frente da instituição desde 1995. A atual diretoria foi eleita no dia 22 de julho de 2010, a pedido de funcionárias, membros da comunidade e entidades aceitei permanecer na presidência por mais dois anos, o que para mim não é nenhum trabalho, pois acredito que ajudar os necessitados é a melhor maneira de servir a Deus. Depois que assumi a presidência desta entidade me tornei uma pessoa mais feliz.
Visão: Quais as maiores dificuldades enfrentadas pela entidade?
Volnete: Alimentação, assistência médica, trabalho das funcionárias são itens que no atual momento, acredito, estarem bem supridos na Casa. Nossas maiores dificuldades talvez, estejam na infra-estrutura como melhoria nas dependências internas e externas, na aquisição de utensílios que venham melhorar as condições de trabalho das funcionárias e do lazer dos internos.
Visão: Quem mais ajuda a instituição?
Volnete: Sem sombra de dúvidas, são os próprios internos, que com o dinheiro das aposentadorias depositado em um caixa único contribuem para o sustento de mais de 80% das despesas da Casa. Cabe ressaltar a grande ajuda da comunidade, do programa A Nota é Minha, do pedágio do Lions Clube Nonoai e de muitas pessoas que no anonimato de acordo com suas forças e poder financeiro contribuem para a manutenção da casa. Recebemos também ajuda de depósitos judiciais que nos ajudam muito.
Visão: Quantas pessoas trabalham na entidade? E como são remuneradas?
Volnete: Temos oito funcionárias todas pagas pela própria entidade, conforme as leis trabalhistas e com recursos da aposentadoria dos internos, temos também uma Terapeuta Ocupacional e uma Assistente Social pagas através de um convênio com o Governo Federal.
Visão: Quem são as pessoas que compõe a atual diretoria?
Volnete: Compõe a atual diretoria hoje, eu Volnete Zanette como presidente, vice- presidente Ezibina da Silva, tesoureiro Manoel de Sá, secretária Carmem Osmarim e pelo conselho fiscal respondem Ari Bedin, Osvaldo da Silva e Antônio Ferron.
Visão: Como você define um bom líder?
Volnete: Um bom Líder é uma pessoa entusiasta que acredita no que faz, tendo Deus sempre consigo. É aquele que acredita na capacidade de transformar as pessoas e as coisas. O entusiasmo é que traz nova visão da vida, bom líder é aquele que sabe colocar o “todo” ou a “entidade” acima do próprio ego.
Visão: Para quem são seus agradecimentos?
Quero agradecer a todas as pessoas que ao longo desses anos têm colaborado com a Casa, especialmente as queridas e dedicadas funcionárias que não medem esforços e tem abnegada paciência para com os internos que com suas limitações físicas e psíquicas exigem que o trabalho acima de tudo seja feito com dedicação e amor. A melhor maneira de colaborar com a Casa e com os que lá vivem é uma visita, um gesto de carinho, ou até mesmo um sorriso. Por favor não esqueçam de doar suas notas para nossa entidade. Tenham a certeza que o dinheiro que for destinado a entidade será muito bem empregado.
“Para produzir esta reportagem passei uma semana visitando uma casa noturna de Nonoai. Os nomes citados são fictícios, mas o relato é verdadeiro, baseado em entrevistas e depoimentos das garotas de programa que vivem na casa. A experiência que obtive ao realizar esta reportagem foi incrível e acrescentou muito na minha atuação como profissional”. Sandra
“Convivemos com a violência, as drogas e o preconceito, não nos sujeitamos, mas eles fazem parte das nossas vidas”, afirmam as garotas
“Aqui a gente faz quase tudo por dinheiro o que não permitimos de forma alguma é que os clientes sejam violentos com as meninas, não usamos drogas e quanto ao preconceito, convivemos com ele no nosso dia a dia”, relata a “Dama da Noite”, ao contar parte de sua vida como garota de programa e agora como dona do Casa Noturna. Na casa modesta de quatro quartos, vivem nove meninas de 18 a 29 anos, durante o dia, jovens simpáticas, porém tímidas. À noite e ao descerem os degraus que dão acesso ao porão, preparado pela “Dama da Noite” para ser o clube da casa, as meninas desaparecem e eis que surgem então, as rainhas da noite, com todo o glamour e com todos os riscos que a noite oferece.
Para a “Dama da Noite”, o amor existe, “quando amamos não somos capazes de trair, mas os filhos é que são o nosso verdadeiro amor”, afirma ela. Das nove meninas da casa quatro têm filhos, todas mandam dinheiro para seus familiares. A maioria delas sonha com o casamento, de todas as que passaram pela casa, seis já casaram entre elas está Moni, de 23 anos, que trabalhou na casa durante dois anos, apaixonou-se pelo cliente, está casada há oito meses e espera seu primeiro filho. Ao falar sobre o casamento diz, “mantemos um bom relacionamento, ele é muito carinhoso e está sempre preocupado comigo, não existem cobranças. Eu me sinto uma mulher muito feliz e de sorte, a segurança que tenho nos braços dele não encontrei em mais ninguém”. O casamento era um sonho para Moni, para completar essa felicidade ainda lhe faltam a casa e a loja de roupa que tanto almeja, “mas sei que logo meu marido e eu conquistaremos nosso espaço”. A jovem espera poder dar a seu filho tudo o que ela não teve, amor de mãe, carinho, atenção, as melhores roupas, “quero que ele saiba que eu me preocupo com ele”, conclui.
Segundo ela, a única coisa que mudaria em toda a sua vida seria o relacionamento que manteve com sua avó, para ambas foi difícil, principalmente na adolescência de Moni, “fiquei muito tempo longe dela e agora ela se foi, mas mesmo assim eu sei, como ela também sabe, que o amor que uma sentia pela outra era bem maior que qualquer desentendimento”, declara a jovem.
Para Moni a vida como garota de programa teve altos e baixos, teve dias bons e ruins, foi usuária de cocaína e hoje está livre da droga. “O que eu espero do futuro é crescer, conquistar bens materiais, mas acima de tudo, sentimentos bons e conhecimento.”
Anne, 29 anos, afirma estar nesta vida pelo dinheiro e relata que trabalhou sete meses em um shooping em Porto Alegre, onde ganhava R$ 800 por mês, em uma semana de trabalho como garota de programa, ganhou o dobro desse valor, “foi ai que realmente balancei, tenho dois filhos para sustentar como posso dar tudo o que eles precisam, com um salário desses. Meu filho mais velho tem 15 anos, eles não sabem o que eu faço, espero que um dia eles entendam e aceitem”, ressalta Anne e afirma, que o que faz é pensando no futuro dos filhos.
Débi, 21 anos, casou-se aos 16, com um homem de muito mais idade do que ela, viveu um relacionamento sem amor, eram muitas brigas. Vai fazer três anos que está na casa. “O mais difícil para mim é quando os clientes insistem para que eu faça algo que eu já expliquei que não faço”, relata a jovem. As meninas explicam para os clientes, antes de iniciar o programa, o que elas fazem, elas são orientadas pela dona da casa, para que deixem bem claro, o que fazem ou deixam de fazer, para que com isso não surjam problemas e muito menos violência, mas nem sempre a tática funciona. “Uma das coisas ruins é quando estou de ressaca e no outro dia tenho que beber novamente, não sou obrigada, mas como sou tímida, preciso da bebida para me soltar”, afirma e diz ainda “me sujeito a tudo isso para um dia ter tudo que até hoje não tive uma casa, um carro e viver uma vida confortável”, conclui Débi. Quanto ao casamento, declara não estar em seus planos.
“Dama da Noite”, também teve um relacionamento muito difícil, que deixou feridas profundas e que dificilmente cicatrizarão. Da infância a moça tem boas lembranças, “fui uma criança muito feliz até os meus 12 anos, já a minha adolescência foi péssima a única coisa boa de que me orgulho é da minha filha que tive aos 15 anos”, conta ela.
“A primeira impressão não é a que fica”, afirma a “Dama da Noite”, ao falar ou lembrar do ex-marido. “Dele eu só carrego raiva, apanhei muito, me obrigava a comprar e usar drogas, quando eu estava grávida, ele testava em mim a droga para ver se eu não tinha comprado qualquer outra porcaria como ele dizia. Vivi cinco anos de minha vida no inferno”, ressalta ela. Só aos 19 anos quando o segundo filho nasceu é que teve coragem de abandonar aquele que tanto a fez sofrer. “Um ótimo manipulador era o que ele era é por isso que eu digo que quanto mais conheço os homens mais eu amo os cachorros”, expressa a moça. Tornar-se uma garota de programa, foi uma vingança para ela, “eu tinha pouco estudo e queria mostrar que podia viver sem ele e muito bem, a minha revolta era tão grande, que a única coisa que passava pela minha cabeça, era fazer com que os homens, pagassem caro, para possuírem por alguns minutos o meu corpo”, relata a Dama, com os olhos vermelhos e o rosto fechado.
“Saber que ele é pai dos meus filhos, me dói muito, hoje ele e um criminoso está preso por assassinato, se eu pudesse pedir a Deus e logo ser atendida, pediria para que meu ex-marido e todas as lembranças que tenho dele desaparecessem em um passe de mágica”, acrescenta ela. Para Elizandra, superar tudo isso não foi fácil, “sou devota de Iemanjá, recorro sempre a ela, acendo velas e peço sempre, que meus pensamentos sejam bons e pelo bem, mas quando me lembro de tudo o que passei a revolta toma conta de mim”, conclui ela.
Laurien, aos 21 anos é a striper da casa, ao ser entrevistada, demonstra uma timidez que no palco fica escondida, por de trás da máscara que usa. Aprendeu a dançar o Polidence observando as colegas nas casas por onde passou. A fantasia vermelha que caracteriza Lau como a mulher demônio, causa a maior sensação nas noites da casa. Cobiçada por sua beleza e pela performance, a striper provoca disputas, entre os clientes que ficam fascinados pela dançarina. Laurien relata que o primeiro show, foi muito difícil, vencer a timidez foi um grande sacrifício, porém hoje para ela, tirar a última peça de roupa, já não lhe causa embaraço. A moça relata ser feliz na profissão, mas não pretende ficar por muito tempo, busca a sua estabilidade financeira, assim ela poderá ficar com os dois filhos de sete e um ano e cinco meses, que sustenta com a profissão. A moça de olhos grandes e pouca fala diz preparar seus shows com muito ensaio e com a aprovação das colegas e da dona da casa.
As noites de sextas-feiras, são as mais “calientes” do Casa, geralmente as meninas começam a produção por voltas das 19:00h, banho, maquiagem, pouco perfume e batom discreto para não marcar o “colarinho” dos clientes, além de uma bela lingerie, uma roupa sensual e um salto fino compõe o look da noite. A clientela é a mais variada solteiros, casados, jovens, velhos, engravatados ou classe média baixa, para elas pouco importa, desde que o coração não esteja comprometido, neste caso, segundo a “Dama da Noite”, fica difícil para elas trabalharem. “Tem clientes que brincam com os sentimentos das meninas, fazem promessas, juras de amor, que duram alguns poucos minutos, voltam num outro dia e repetem tudo de novo, porém a vítima é outra”, relata ela.
“Aqui aprendemos a lidar com todos os tipos de personalidades, do mais carinhoso ao mais agressivo”, relatam as meninas. Segundo Dama a maioria dos homens que frequentam a Casa insistem para transar sem camisinha o que é contra as regras da casa. Os homens casados há mais de oito anos, segundo ela, são os que costumam infringir as regras, agredindo psicologicamente as meninas com palavras de baixo calão, tentando ir além do combinado antes do programa e às vezes até com tentativas de agressões físicas. “Existem também aquelas meninas que querem mandar, estabelecer preços, horários e beijar na boca de todo mundo, essas não ficam na casa”, afirma a “Dama da Noite”.
“O olhar é preconceituoso”, conta a dona da casa, quando sai com as meninas para ir ao mercado, às lojas, ou ao médico. Para elas, o preconceito sempre vai existir, “somos nós que temos que nos acostumar e conviver com ele, ressaltam as meninas. “Para algumas pessoas é o tal do “gostar da coisa”, para outras, uma opção de vida, para nós uma profissão”, afirmam as garotas.
As paredes desbotadas e gastas pelo tempo, dos quartos da casa guardam parte da história de vida de 10 mulheres, 10 amigas, cúmplices que no dia a dia enfrentam e superam, dificuldades, preconceitos, traumas e saudades daqueles a quem amam e que para serem protegidos são privados da presença das mães.
A escada mágica que leva ao salão iluminado por uma “centopéia” colorida, despe as meninas de qualquer pudor e de qualquer timidez. O local talvez não seja o ambiente fino e elegante que se possa imaginar, mas se torna único com a sensualidade das damas da noite.
Os verdadeiros amigos estão onde menos se espera, basta um estalo e parece que você o conhece há anos, rola uma química inexplicável. Era um estranho e em poucos minutos, horas, dias se transformou em seu confidente instantaneamente.
Conhecemos inúmeras pessoas, elas vão e vem de nossas vidas, são os “oportunos”. Os amigos de verdade, estão sempre conosco mesmo que distantes. A ligação é tão forte que a conta do telefone às vezes “explode” e nós “aqui pra ela!”
Ei você ai! Já ligou, abraçou ou agradeceu seu amigo? Meu vê se não dá bandeira, afinal hoje é o dia daquele que não é o Papai Noel e mesmo de “saco cheio”, escuta o seu desabafo, empresta o ombro e alcança o lenço para você chorar, aguenta seu mal humor, lhe dá um presente de vez em quando e ainda de “quebra”, lhe dá umas ideias para melhorar seu mal…, seu relacionamento… seu dia…. sua convivência…, seu trabalho…, a dor de dente…, a prisão de ventre… e por ai se vai…
Aos meus queridos amigos um grande abraço, só não de quebrar as costelas porque depois vem a conta do hospital e… ai já viu né…Obrigada meus amigos por tudo o que têm feito por mim!




